JUNK FOOD(IDO)

Sou um junkfoodista nato! Ou melhor, um junkfoodido nato! Só queria saber porque os melhores acepipes ficam mais saborosos depois de nadar numa piscina cheia de óleo de soja e a água não tem um pouco de álcool em sua fórmula. Pastelzinho no Hugo? Coxinha no Frangó? Sardinha à milanesa no Sabiá? Questões de tirar o sono - até mesmo dos cardiologistas... Me mandam malhar e eu escrevo. E aí dizem que escrever é malhação de preguiçoso, apesar que acalma e mata a fome. Será? Poemas só escrevo no balcão do boteco, com cerveja, amendoim e sal debaixo da língua. E um cigarrinho entre um e outro. Haja pressão. E por falar em escrever, ainda ontem estava eu no Sabiá rabiscando - num guardanapo engordurado de torresmo - o meu protesto: abaixo o colesterol e o preço da cerveja. E salve a empadinha de 1 Real. Tô economizando pro cateter...
© Fábio Reoli
Escrito por F. Reoli às 18h21
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3 RECADINHOS...
Agora disponho aqui no blog - à direita, logo abaixo da foto do meu perfil - de um muralzinho de recados e (ou) um chat, onde poderemos conversar on-line, trocar recados e onde também deixarei dicas de coisas que curto pra vocês visitarem, caso haja interesse. Essa ferramente será muito útil para uma interação maior com todos e para que o espaço do blog seja mais aproveitado com meus textos do que com meus recados. (rs)
(18.07.08 - 23h17) Com um pouco de atraso - o filme tem estréia hoje no circuito nacional -, queria deixar essa dica sobre o filme "Nome Próprio", dirigido por Murilo Salles, com Leandra Leal e baseado na obra da blogueira e escriba Clarah Averbuck, que retrata exatamente esse universo virtual, esse mundo blogueiro em que vivemos, onde o computador deixa de ser cenário e acaba virando personagem. Eu queria falar muito aqui das impressões sobre o que vi no blog, mas acho que o link vai poder dizer e mostrar bem mais do que eu queria. O filme em sí ainda não assisti, mas pelo blog fiquei tentado e vai ser a segunda coisa que farei amanhã, a primeira será o casamento de um grande amigo-irmão que tenho. Pois é, ainda existem loucos como eu que acreditam na vida à dois. Mas casar às 10 da matina, é sacanagem...rs. Não deixem de assistir as performances ao vivo pela web cam de Alessandra Cestac no blog, às 21h, segundas, quartas e sextas - é uma artista de primeira, cujas intervenções retratam bem o caos, a sensualidade e a beleza da cidade e da natureza humana. (Alessandra é responsável pelo lambe-lambe que decora o quarto da personagem principal), e de curtir as fotografias, making of e a trilha sonora imperdível. Esperem carregar a página toda, demora uns segundinhos mas vale muito a pena. É só clicar aqui
Ah, e não deixem de ler os textos de um monte de gente bacana na mostra Coletivo:Kaos e de mais um textinho inédito desse que vos fala, logo aí abaixo.
Abraço pros cuecas e beijo para as moças.
Escrito por F. Reoli às 19h14
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QUAI DE BOURBON

Fechou a porta atrás de sí deixando pra fora um pedaço lilás de fim de tarde. Com seus olhos nublados de fadiga olhou por todo o cubículo mofado e em desordem. Nunca fizeram parte um do outro, ele e o lugar. Lugar nenhum. A cama soltou um rangido agudo, quando sentou e apertou o botão do abajour. O bloco de anotações ainda guardava sob a poeira a célebre frase de Camille Claudel à Rodin: “Existe sempre alguma coisa ausente que me atormenta” (Il y a toujours quelque chose d'absent qui me tourmente), que ele copiara à lápis num guardanapo de papel - sem saber porque -, da porta do banheiro de algum café sujo que estivera. Frases. Sempre as copiava embora nunca as entendesse. Talvez fosse a forma que encontrasse de fazer a vida ainda mais complicada. Quanto mais palavras, mais confuso o significado da existência. Do outro lado das paredes descascadas ficava o futuro e alí, naquele ambiente claustrofóbico, só conseguia ouvir os sons do passado açoitando o presente. Se soubesse ainda como fazer, seria um excelente momento para derrubar algumas lágrimas, mas a fisionomia continuou impassível, sem demonstrar nenhuma emoção. Fazia algum tempo que perdera a capacidade de sentir amor por sí mesmo ou pelo outro. Uma sequência infindável de experiências frustradas. Vida vazia. Só de pensar, o ar doía cada vez mais em seus pulmões. Precisava de um trago. Ergueu do chão sua única companheira: a garrafa de whisky. Deitou-a sobre o copo. Um gole longo. Ela sim valia alguma coisa: inebriava os sentidos, soprava a solidão e era quem embalava seu sono, embora também trouxesse os mais sombrios pesadelos. Até ela - a garrafa - era a salvação de alguém, tinha sua razão de ser. Ele não. Já fora filho, mas nunca seria pai ou amante. Aliás, não seria nada mais, nem uma lembrança. O tempo era seu inimigo invisível. Que a noite o engolisse. A faca jazia sobre o criado-mudo, refletindo a fraca luminosidade da lâmpada em sua lâmina. O copo de whisky barato pela metade e sua cara com a barba por fazer refletida no espelho da cômoda. Acendeu um cigarro, tragando profundamente. Bebeu num gole só o liquido âmbar que restava no copo. Decidido, empunhou a faca e cravou a lâmina com força em seu coração. Até o cabo. Um corte profundo, a última tentativa de procurar o amor no único lugar onde ele ainda julgava existir.
Morreu agonizando, na velha cama, sem nada encontrar.
© Fábio Reoli
* Escrevi baseado na música "A Montanha Mágica", do Legião Urbana. Para ouvir, clique aqui.
Escrito por F. Reoli às 18h09
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COLETIVO: KAOS
"Coletivo: Kaos" tem o intuito de externar essa forma incessante de ir e vir coletiva e, ainda assim, individual aos olhos de cada um. Sensações que se movimentam pelos nossos olhos cotidianamente e que, muitas vezes sem percebermos, conseguem extrair uma quantidade absurda de histórias, ilustradas pela gritante quantidade de informações que envolvem os frequentadores de um caótico transporte público da grande - e nem um pouco humana - cidade de São Paulo.
Fotos: Fábio Reoli (pelo celular)







MEU CONVITE...
Escribas, uni-vos!
Fiquem a vontade para escolher um desses retratos e criar um poema, uma história ou uma impressão em cima desse meu olhar caótico sobre o transporte público e a maneira de enxergar poesia onde nem existe.
A idéia dessa mostra virtual é poder interagir o que vejo com o impacto dos olhos de vocês, quiçá, transformado em palavras. Esse ir e vir sem destino certo, uma troca de olhares, palavras e idéias inquietantes em cima desse universo convulso chamado dia-a-dia.
O texto escrito pode ser deixado aqui mesmo, na caixa de comentários do blog, citando a fotografia em que foi inspirado.
... E MEU AGRADECIMENTO,
Mais uma vez, agradeço o interesse e a colaboração de todos que escreveram e ajudaram a tornar esse projeto fotográfico-literário "Coletivo: Kaos" num verdadeiro sucesso. Foram 30 textos (de 15/06 até o encerramento ontem, 15/07/08), todos muito inteligentes e que conseguiram retratar de forma magnífica as minhas fotografias sobre esse caos urbano em movimento, que é o transporte público das grandes cidades. Já penso numa segunda mostra num futuro próximo.
Prometo que publicarei todos os textos que chegarem, mesmo após a data e convido todos que passarem por aqui para que leiam os textos, comentem, troquem idéias e se possível, confiram os blogs dos colaboradores, todos muito interessantes e sempre com algo a dizer. Vale a pena!
É só clicar no link abaixo e "embarcar" nessa viagem:
http://coletivokaos.zip.net
Escrito por F. Reoli às 15h18
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Só um oi...
...ou um salve aos amigos e amigas escribas e gente que lê.
Achei fantástica essa matéria com o dramaturgo Mário Bortolotto para a revista "TRIP", em comemoração ao "Dia dos Namorados" e achei legal deixar a dica pra quem quiser ler. A reportagem é inspirada no filme "Flores Partidas", de Jim Jarmusch.
No caso, o Mário tinha que procurar algumas de suas ex-namoradas e tentar entender, depois de tanto tempo, o porquê da relação não ter dado certo. Um resgate fodido do passado. E o cara foi. (rs)
Vale a pena. Para ler clique aqui
* Ah, quanto a mim, estou numa correria ímpar por conta do trabalho. Inclusive, na edição de junho da revista Joyce Pascowitch, no "especial de Dia dos Namorados", tem um texto escrito pelo Nando Reis, ilustrado por uma foto que fiz num dos últimos shows dele em São Paulo e escolhida pelo próprio. Tô muito feliz. Cansado, mas feliz...(rs). Ainda, no tempo que sobra, estou preparando uma exposição fotográfica virtual que postarei aqui dentro de alguns dias, onde farei um convite pra vocês também. Aguardem.
No mais, beijo pra elas e abraço pra eles!
© Fábio Reoli
Escrito por F. Reoli às 14h21
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BRUMA

céu da boca nublou
nem os pés que me levam
sabem bem onde eu vou
estou?
© Fábio Reoli
Escrito por F. Reoli às 16h59
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CONSTÂNCIA

Obstinado, procurava por ela em cada boceta que fodia. Um dia a encontraria.
Assim. Sem poesia.
© Fábio Reoli
Escrito por F. Reoli às 14h29
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AOS INSONES

Impossível apagar, retirar, extirpar a lua do céu. Antes, arranque seus próprios olhos ou não a encare. Solidão é opcional. Céu e saudade, não.
A lua só não existe pra quem dorme cedo!
© Fábio Reoli
Escrito por F. Reoli às 11h11
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PASSADO TEM DOIS "eSSes" DE SAUDADE
(Ele)

"A sombra da noite desenha em mim antigas memórias, são seus olhos-meu reflexo, esboçados nas paredes amarelas da história. Você deve estar num canto da sala, olhando pro pedaço de céu sem lua que ainda resta, abraçada pela melodia daquele velho disco de blues que embalou beijos mais carmins do que azuis. Miro os botões do interfone. Respiro. Tantas lembranças, tanto tempo... Aceso ou apagado estará seu desejo, seu apartamento? Será cheio de cor ainda o seu sorriso? Acho que vou gritar seu nome. Preciso."
(Ela)
"Eis-me lágrima neste momento, molhando paredes vazias e desenhando você no pensamento. Neste encontro proposital com o passado, percebi o quanto não sinto falta do presente. Fragmentos de loucura e sanidade, frutos dessa noite sem lua. Ainda a pouco, jurei ouvir você gritar meu nome. Devo estar doente. Saudade."
Madrugada fria. Chovia, quando amanheceu.
© Fábio Reoli
* Escrevi baseado na música "A Via Láctea", do Legião Urbana. Para ouvir, clique aqui
Escrito por F. Reoli às 14h14
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QUAZI VIDA NA "VENEZA" DUS POBRI

"Oji, tar camalião, mi tornei da mema cô dus prédio e dus posti qui custuma respondê os meus bum dia e bas noite, mais du qui quarquê pessoa qui passa invorta em seus póprio pobrema, aqui im riba da ponti, na cidadi grandi. Mais pelu menus tô longi daqueli par di zóio di fogo qui mi dava a vontadi de girar sobri eu memo. Cruis credu! Aqueli par di zóio qui mi feiz deixá us amigo, a certesa, u violão...
Oji quem mi acumpanha é as lembransa, inquantu tu fais sombra nu isquecimentu. I cum qui velosidade tu si isquesseu. Num lembra im nada aquelas lágrima dirrubada divagá, qui neim passu di tartaruga, na hora qui si dispidiu di mim. Chegô até memo a mi sigurá pelo cóis da carça e sortá um “fica, beim”, cum aquela voiz móli. Vim simbora cum u saco chei de roupa i as véia cantiga qui eu ti escrivia nas noiti inluarada. Mas u qui mais mi pezava nu ombru era a tar sensasão du seu sofrimentu. Tinha dó, ti imaginei chorano pelus cantu, vistindu u vistido pretu qui tu uzô quandu sua tia foi deça pra mió.
Mas vimbora pra ti isquecê memo, tantu qui neim u violão eu trusse. Mas essi pensamentu duro poco. As urtima informação qui tivi, i óia qui queim segredô é genti di confianssa, foi di qui tu foi vista cherandu arco di bibida e pitandu toda filiz, cuntenti, mais aqueli safadu du donu da venda, lá na budega do Tonhu. Oji, si eu fosse iscrevê uma cantiga, seria premeru lugá nas rádio AM.
E inda agora poquim, passou um moribundu comu eu i mi pidiu um cigarru. Eu só tirei um dus urtimo Bermonti qui eu tinha no borso e intreguei pra eli, purque quiria tentá lê a tatuage qui eli tinha nu brasso. I lê, memo qui muito mar i divagá é um dus poco tisoro qui tenhu na quazi vida qui levu nessi mundaréu di estranhu. Eli dice que tinha saidu a poco da cadeia pur te assertado em cheiu os corno di uma messalina – qui eu nem sei u qui é, mas devi di se iguar tu, pelu nome feiu. I a tatuage tinha iscrito u qui fais tempim qui eu pensu: “Amor só de Mãe”. Achu qui o moçu teim um quê di sabidu..."
“- Issu divia sê uma carta pra ela, mais joguei lá pra baxo da ponti. Acendi um cigarru e oiei pro fileti dágua ismilinguindu o qui era essi paper. U riu é razu. Num sei si tenhu vontadi de chorá, di vortá ou di pulá. Qui sardadi du meu violão”.
© Fábio Reoli
Escrito por F. Reoli às 14h43
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NEM "EXATA" E MUITO MENOS "HUMANA" a matemática da cidade grande

Nem São Paulo, nem Rio de Janeiro e nem Belo Horizonte ou Brasília. Chega das grandes cidades com seus prédios cinza-chumbo e buzinaços de manhã até de noite. Eu quero é pedaço de céu azul e lilás, do sol brilhando sem nuvens e de poder sentir a areia e a terra debaixo do meu pé. Trabalho? Só o de colocar o anzol na água e levar o copo e os lábios da amada à boca, saborear os sabores do mar e os frutos da terra. Números então, nem pensar. A não ser o de contar as nuvens deitado na grama. O relógio vai ser feito de sol e lua. Dia enquanto amarelo, tarde enquanto laranja e azul marinho quando noite. E claro que vai dar pra perceber até os tons de amarelo, rosa e lilás, no decorrer dessa dança simbólica dos astros. Enfim, relaxar e respirar sem a interferência do monóxido de carbono e seus pares, a não ser o daquele cigarrinho de vez em quando. E que a lembrança de um congestionamento - você dentro de uma lata de sardinhas com mais 50 sardinhas - às seis da tarde, hora da ave-maria, possa ser varrida pelo sossego e contemplação, como deveria. Sem trânsito. Tudo, tudo é de enlouquecer nas grandes cidades. Poluição, gente mal-educada, violência... mas o trânsito, é que anda - ou melhor, não anda - de matar. Os carros não saem do lugar apesar das rodas, as sensações não são certas, os sentimentos são turvos e os olhos ardem. Até mesmo a matemática deixa de ser uma ciência "exata" e, ainda assim, nada "humana" na hora do rush ou no rush fora de hora: definitivamente, é melhor ter duas pernas do que quatro rodas!
© Fábio Reoli
* São Paulo congestionada, na última sexta-feira (9), às dez e meia da noite. Pasmem!
Escrito por F. Reoli às 17h04
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RELICÁRIO
Na caixa de papelão envelhecida, envelhece a pedra do inesquecível entre horas sem ponteiro, pétalas ressecadas e saudade irreversível. Dançam ali, ciúme e verdade... estupidez e vontade... vícios e virtudes fantasiados de improviso. Há a chama vermelha que arde, guardada entre a lenha que acendia teu sorriso onde a chuva amena do céu de noite, dissolve intenções em poema.
© Fábio Reoli
Escrito por F. Reoli às 13h05
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OUTONO

O sol veio e beijou o vento, mudando o cheiro da flor. Um sopro perfumado e contagioso (de amor), espalhado pelo amarelo ouro e azul de um ponto qualquer do céu. E só no lilás da quase noite é que encontro a alegria da cor canela da sua pele, onde deságuo em véu o meu sorriso e te molho com as lágrimas castanhas que caem dos meus olhos...
© Fábio Reoli
Escrito por F. Reoli às 18h59
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UM DOMINGO ESPECIAL
( Choque-Rei )

Domingo de chuva, domingo de sol... e lá se vai um mar de camisas alvi-verdes pelas ruas... Os corações batem fortes, o sorriso é a personificação da alegria de ser palmeirense e muito mais que isso: o sentimento do bom filho, que por direito adquirido, volta à sua casa. Pelas avenidas se vêem bandeiras desfraldadas pelos carros que passam. Nem parece São Paulo. Esse é o dia em que o verde-Palmeiras vence o cinza-concreto. Todos os caminhos levam a um só lugar, um templo sagrado, incrustado na Pompéia, onde ídolos do passado e do presente emanam suas vibrações em prol da vitória. Tem clássico no Palestra Itália. Algumas nuvens até aparecem, mas são brancas e nelas vivem palestrinos e palestrinas queridos que já se foram e que, lá de cima, se preparam para mais uma vez recordarem a emoção do encontro. Nem a eternidade separa essa paixão chamada Palmeiras... Na nossa casa já sentimos a presença divina. É Ademir da Guia que está por alí, desfilando sua simpatia pelas alamedas do Palestra. Ele aplaude, vibra e chora. Se notarem bem, no momento em que o apito final celebra a vitória do Palestra, são lágrimas de alegria que escorrem pelo rosto do Divino. Esse é o dia em que até o Divino reverencia o "Mago". Do outro lado - naquele pedacinho tricolor quase imperceptível -, o pó de arroz e o batom se liquefaz em lágrimas de derrota... As madalenas arrependidas que sobraram - é, as outras saíram na hora exata do segundo gol -, estacam embasbacadas e sem destino. Acho que essa visão, foi um dos pontos altos da festa. É hora de deixar a nossa casa. A comemoração é muito grande até mesmo só para ela. Alguns beijam o chão das arquibancadas, outros se abraçam. Alguém fica alí apenas olhando pro gramado, ouvindo a alegria de uma torcida que não só canta como vibra. E depois de tanta emoção, todos vão se encaminhando pra saída com um grito de alegria na garganta e a certeza de que muito em breve, estarão de volta. É a nossa casa, das quartas, sábados, domingos... E esses domingos, nem precisam ser de sol. Pode chover até... por que aí, esse mar alvi-verde vira onda de vez e inunda definitivamente o solo dessa cidade, que num domingo, em especial, deixou de ser São Paulo pra virar PALMEIRAS!!!
© Fábio Reoli
* E no dia 04/05/2008, em mais uma tarde gloriosa, o Palmeiras se tornou o campeão Paulista de 2008!
Escrito por F. Reoli às 12h01
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VIÇO

toco teu corpo úmido como quem desfolha um bem-me-quer entre os dedos cedendo ao chamamento da carne entregue a face faminta do desejo
orgia dos sentidos letras transmutadas em língua escrevendo palavras obscenas em teu ouvido
meu todo a te possuir e tuas unhas desenhando com sangue minha pele sem ferir
vem devora faz de mim teu Universo o êxtase que para outros é prosa para mim é gozo sussurrado em verso
© Fábio Reoli
Escrito por F. Reoli às 11h49
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TATO

Dedos. Tocando a pele aberta e oferta. Desenhando imagens lascivas, de pudores desprovidas, em teu corpo teso. Só corpo e curvas. Não me lembro do teu rosto. Muito menos do teu nome. Só do teu prazer exposto, incontido e sem medo. Na hora que tudo pára, de olhos fechados estremeço: mulher você existe só na ponta dos meus dedos...
© Fábio Reoli
Escrito por F. Reoli às 11h58
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DO OUTRO LADO DA TELA
(quem nunca teve um amor virtual que atire a primeira tecla)

do infinito virtual
entre teu olhar e o meu
brilha a estrela do querer
que nos guia um para o outro
da ausente distância
entre teus lábios e os meus
brincam sensações inexplicáveis
incontidas... sem princípios
da prece do silêncio
onde somente nossas peles falam
teclam mãos em carícias imaginárias
de toques cegos mas que tudo dizem
do etéreo e eterno instante
na consumação do desejo
gritam vozes e gozos
da quase dor desse mistério
© Fábio Reoli
Escrito por F. Reoli às 16h33
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ASAS

A rua antes deserta foi se povoando de semblantes felizes e abraços apertados. Reconciliações, chegadas ou simples aconchego de almas efusivas. As pessoas cheiravam a caramelo e pipoca doce e as crianças brincavam de roda, cantarolando antigas canções. Alguém deitou na grama e ficou imaginando desenhos no algodão rosado das nuvens. Meus pés foram saindo do chão levados por uma sensação contagiante de utopia. Você sorriu. E os teus lábios voaram comigo.
© Fábio Reoli
Escrito por F. Reoli às 22h10
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OCASO

Te encontrei ao ler o horóscopo chinês do jornal de ontem. Atmosfera propícia: a xícara de café - que pra você era de Coca-Cola, o cigarro mentolado queimando no cinzeiro e a fotografia sorridente no porta retrato, banhada pela luz difusa do fim de tarde que insiste em invadir minha janela e pensamentos. Sem pedir licença. Igualzinha você...
© Fábio Reoli
Escrito por F. Reoli às 10h54
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CRÔNICA DE BALCÃO II

Tem alguma coisa melhor que beijar? Tem, é claro, mas o beijo é o prenúncio das delícias maiores...(rs) O beijo está presente em cada momento do cotidiano, seja o beijo que a gente vê nas ruas, nos cantinhos escuros, contra os muros... são casais e mais casais se dedicando ao saudável ato da "beijação". Esse fluxo desconexo de sensações que dois seres humanos podem encontrar. Pude sentir isso mais uma vez no final de semana. Estava num bar chiquinho aqui da Vila Olímpia com um grupo de amigos, envolto por uma concentração de bolsas da Prada e perfumes Marc Jacobs. Até aí, tudo bem. Mas às vezes, mesmo quando a gente está cercado do melhor e do luxo, aparece lá no fundo do coração, da alma, do cérebro, sei lá porque, uma sensação esquisita. Uma sensação de que algo está fora de sintonia... Percebi isso quando estávamos alí numa mesa da calçada e entre um congestionamento infernal de carros importados em frente o bar, eu vi um casal de catadores de papelão - sabe aqueles que andam por aí puxando aqueles carrinhos de madeira -, dando um belo beijo na boca, daqueles que a gente sorri e pensa "guenta coraçãããão"...(rs) Entre belas loiras – falsas ou não -, com seus namorados mauricinhos, eles também se beijavam sem se importar com nada. Por um instante a carroça ficou tão parte da paisagem quanto os carros importados que por ali circulavam. Tudo isso, só pra me lembrar que não precisa de dinheiro, de drinks com vodka importada, de prosecco francês e garçons engomadinhos ao redor pra se sentir o outro, não existem panos de fundo ou cenários mágicos para o beijo acontecer, mesmo porque quando beijamos estamos de olhos fechados e o próprio beijo cria a viagem... Sinto que tudo o que a gente precisa, de verdade, além de nossa boca para beijar, é uma boa boca para ser beijada. O simples pode mesmo ser visto como o mais importante...
© Fábio Reoli
Escrito por F. Reoli às 16h21
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